Por: Natasha Sá Osório


No nordeste da China, a 850 quilômetros de Pequim, existe uma cidade chamada Dalian, a preferida dos chineses como destino turístico. Localizada ao sul da península de Liaodong, são as temperaturas amenas, as praias em ligação com as montanhas com florestas ótimas para fazer trilhas que atraem durante as férias.

No resto do ano, é o distrito de negócios que fervilha na cidade e chama empresários. Foi isso que levou a leitora Joana Mota Freitas, há pouco mais de um mês, a fazer as malas para morar na China com o seu marido, por enquanto com volta marcada para 2015. O local escolhido para morar em Dalian foi o bairro de arranha-céus Kaifaqu (foneticamente, lê-se qui fa chu), que se pode ver na foto à esquerda.

Sair do próprio país é sempre uma experiência estonteante, mas como será viver do outro lado do mundo, envolta numa cultura completamente distinta? Falamos com a Joana para saber.

O primeiro baque foi o idioma. “Ninguém fala inglês, então eu me viro com a linguagem universal: por gestos”, conta a jovem de 26 anos, qGolden Pebble Beach China Dalianue está tendo aulas de mandarim três vezes por semana para poder se comunicar. “Já sei quando estão dizendo palavrões por minha causa, porque essas palavras são as mais fáceis de aprender,” brinca.

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Fazer compras não é tão complicado assim, é apenas diferente. “Os números são iguais aos nossos, por isso eu sei os preços. E há lojas ocidentais aqui, como o IKEA (loja de móveis sueca), Walmart e o Tesco (cadeia de supermercados britânica). A diferença é que nos supermercados há também senhoras gritando as promoções num alto falante. No início é divertido, mas pode ser desgastante porque você tem que se concentrar nas etiquetas com preços...” Nos mercados, a comida é realmente fresca. “Os peixes estão vivos e são mortos na frente do cliente, assim como as rãs.”

Embora a gastronomia seja picante e estritamente asiática nos restaurantes, algo que a Joana gosta muito, em Dalian a culinária é um tanto mais parecida com aquela que temos aqui, comparando com o resto da China. Come-se bastante frango, peixe, pão, vegetais e muita fruta daquela que já estamos acostumadas: melancia, pêssego, manga, maracujá e uvas, que eles apreciam bastante. “Mas o vinho deles é horrível!”, conta a Joana, rindo. “As pessoas aqui jantam às 18h30 e depois só comem uma fruta antes de dormir.”

Preocupam-se tamTai chi chuanbém bastante com a saúde. As estrangeiras querendo morar no país têm de se submeter a exames rigorosos, inclusive de AIDS e gravidez – sobre a qual a mulher deve respeitar a regra nacional de gerar apenas um filho, sob a pena de pagar multas bem salgadas. O aborto é comum, mas ter irmãos da mesma mãe, já não. “Quando falo que tenho um irmão, sempre me perguntam se é da mesma mãe. Há homens que casam várias vezes para poderem ter mais filhos com diferentes mulheres”, explica.

No mais, está enraizado o costume de ir semanalmente ao spa fazer massagens ou ir ao quiroprático. “Há spas de todos os tipos: desde os mais humildes aos mais elegantes." E, além disso, os chineses adoram dançar. "São vistas sempre nos parques e nas praças pessoas dançando. Às vezes fazem com leques, outras vezes parece uma espécie de tai chi chuan, danças tradicionais em pares ou movendo-se em filinhas, todos iguais, imitando umas senhorinhas que ficam na frente.”

Numa visita a Dalian, não será preciso preocupar-se com a beleza. “Há cabeleireiros e manicures por toda a parte, é quase um atrás do outro, e estão sempre abertos. Aqui elas não arrumam as unhas como nós: enfeitam com muitos padrões, brilhantes, até piercings, e usam bastante unhas de gel.” O preço? Entre ¥ 10 e ¥ 60, dependendo do serviço (aproximadamente R$ 4 e R$ 23).
Taxi
É preciso ter cuidado na hora de comprar cremes. Como os padrões de beleza privilegiam a pele branca, muitas fórmulas contêm branqueador. Para se proteger do sol, na rua as mulheres usam pequenas máscaras (aquelas de cirurgião) cobrindo parte do rosto, mangas compridas e sombrinhas.

A internet é rápida, mas limitada: não há acesso ao facebook nem aos sites de notícias internacionais sem primeiro driblar a segurança imposta pelo governo, mas com o jeitinho brasileiro isso se consegue. Na TV há notícias em inglês pelo CCTV News, canal de Hong Kong, onde o idioma anglo-saxônico ainda deixa vestígios da antiga ocupação britânica.

Para circular, Joana tem preferido o táxi, por ser barato e simples. Uma corrida em Dalian não sai por mais de ¥ 10, ou seja, pouco mais de R$ 4! Mas também há transportes públicos, como trem e ônibus, que levam a toda a parte. Uma dica que ela dá às novatas em terras chinesas: “É sempre melhor se informar no hotel ou ponto turístico sobre a tarifa justa a ser cobrada no táxi. Para não haver sobretaxa...” Mais um ponto em comum com a terra tupiniquim.

Dalian, China, parque LabourNa rua, as pessoas olham para as ocidentais com curiosidade, mas Joana diz se sentir tão ou mais segura até que na Europa e nunca ser assediada.

A maior dificuldade sentida por Joana é relativamente à higiene, que é diferente da ocidental. “A praia de eleição daqui, a Golden Pebble Beach, fica sempre suja, as pessoas fazem churrascos e não limpam – nada que corresponda à expectativa dos brasileiros. As ruas começam limpas de manhã, mas logo se enchem de entulho. Mas eu sei que o governo está tentando mudar isso e há um sistema de limpezas público eficiente.”

Mesmo assim, vale a pena visitar Dalian? “Não é a china que estamos à espera: não há a Muralha, nem os edifícios de Shangai, nem os templos bucólicos… Mas tem ótimas montanhas com trilhas, parques lindos, bem cuidados e seguros, e, daqui a um ano, quem sabe não isto não vira uma Riviera na China?”

Fotos: bairro Kifaqu, em Dalian (primeira foto). A praia Golden Pebble de manhã, quando ainda está limpa (segunda imagem, à direita). Mulheres praticando tai chi chuan (terceira foto, à esquerda). Taxis (quarta imagem, à direita). Parque dos Trabalhadores, em Dalian (última foto).

* O valor da conversão da moeda fornecida é de acordo com o Banco Central do Brasil em Agosto de 2013.

Comentários

Como pai da Joana, estou orgulhoso pela experiencia que ambos aceitaram desafiar. Vai ser enriquecedor para a vida da Joana e do Mario.

Olá Luis,

Entendemos bem como é ser mãe/pai e acompanhar de longe as aventuras dos filhos pelo mundo. Esperamos que a jornada deste casal seja bastante enriquecedora, como parece mesmo estar sendo!

Um abraço,
Equipe Mulher Viajante

Adorei a reportagem em tom de entrevista a que já tão bem nos habituaram! Só faltou uma foto da entrevistada, a quem desejo as maiores felicidades nesta nova experiência de vida. Abraços para a "Mulher Viajante"

Olá Ana Maria,

Obrigada pelo seu comentário. A entrevistada preferiu que não colocássemos a sua foto, mas é importante que ela passe seus conhecimentos para futuras Mulheres Viajantes a caminho do outro lado do mundo!

Um abraço,
Equipe Mulher Viajante

Olá Joana, meu filho está indo morar em Dalian a trabalho. Estamos apreensivos, pois sabemos que a comunicação será difícil. Gostaria de obter teus contatos, assim ele já teria alguém por aí... Abs!

Olá gostaria de maiores informações sobre Dalian pois meu marido estará indo trabalhar lá e devo ir com ele...

Olá Mariana!

Que bom, uma aventura que está começando em sua vida! Que tipo de informações você está buscando?

Abs,
Equipe Mulher Viajante

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