Por: Lu Ri Lee

O inverno chegou para ficar e o chá é uma ótima opção para espantar o friozinho. Originário da China, é uma das bebidas mais consumidas do mundo, perdendo apenas para a água e competindo com o café. Estima-se que o seu consumo mundial ultrapasse os três bilhões de litros por dia! E os números não acabam aí: há mais de três mil tipos de chás, que, de uma forma ou outra, foram adotados por várias culturas de todo o mundo. Se não concorda, confira:

O que você faz para purificar a alma e buscar o equilíbrio? No Japão, toma-se chá. Chamado de chanoyu, a cerimônia do chá é uma tradição milenar em que a paz e a boa postura prevalecem a todo o momento. Os participantes  buscam se desligar do mundo, porém, existe uma série de regras de etiqueta a serem seguidas. Por exemplo, o chashitsu (sala onde acontece o atoChai, Índia) é considerado um lugar sagrado. Por isso, para entrar, só são permitidas meias brancas, apenas se pode beber após agradecer inclinando a cabeça a quem serviu, não é permitido beber apenas com uma mão e deve-se manter silêncio absoluto durante a cerimônia. Ufa! Tudo em nome da harmonia, hein?!

A produção de folhas de chá é uma das maiores atividades econômicas da Índia. É a segunda maior produtora do mundo, atrás da China. As principais regiões de cultivo - Tamil Nadu e Kerala - produzem mais que toda a Argentina e a Indonésia juntas. O tipo mais apreciado é o chai, que mistura também leite e especiarias, por isso tem um sabor bastante forte.

Percorrendo o Caminho das Índias, esse costume foi passado para os portugueses que fizeram chegar uma das tradições mais típicas do Reino Unido. Não acredita? Saiba que foi a princesa Dona Catarina de Bragança de Portugal quem levou o hábito quando casou com o príncipe Carlos II, no século 16. Eles não tiveram um casamento feliz, mas Catarina fazia questão de beber chá todos os dias, às cinco horas da tarde. Até hoje a expressão "five o'clock tea" (chá das cinco) é usada entre os britânicos. A rainha Isabel II toma com limão, mas 98% da população prefere acrescentar leite. Só os britânicos consomem cerca de 60,2 bilhões de xícaras por ano. Se vai para o Reino Unido, há várias expressões para falar do tema, como “cuppa” ou “brew”. 

Já no Peru e na Bolívia, o chá de coca é o mais tomado. Longe de estar relacionado com a droga entorpecente, as suas folhas são usadas mchá de manteiga, Tibetedicinalmente para cura de todos os males, desde a simples dor de cabeça, à recuperação dos efeitos da altitude na região andina e até, segundo as pessoas locais, para dar energia na hora de trabalhar no campo. Há o hábito de mascar as folhas, isto é, mastigar e deixar o bolo no canto da boca, entre a gengiva inferior e a bochecha. A tradição começou há oito mil anos, e os peruanos acreditam que a folha de coca tenha poderes místicos.

Os nutricionistas recomendam tomar chá verde para uma dieta balanceada, mas você tomaria chá de manteiga de yak, a vaca das montanhas? No Tibete eles adoram essa variedade! O frio proporcionado pela altitude da região (está localizado a 4.500 metros acima do mar) faz com que o tibetanos necessitem de valor calórico muito mais elevado que o nosso. O sabor é um tanto inusitado para os ocidentais - é rançoso e bastante grosso, quase como uma sopa.  Se provar e não gostar, tome aos pouquinhos por delicadeza, mas nunca deixe o copo esvaziar, pois ele será imediatamente cheio pelos acolhedores Tibetanos.  

Fotos: Tijela de chá japonesa (primeira foto). Chai, Índia (segunda imagem, à direita). Chá de manteiga de yak (última foto).

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Parabéns pela matéria, não sabia dessas curiosidade. Que tal uma matéria sobre café!???

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