“- Vem, a Bahia te espera!”

Faço o mesmo convite que Jorge Amado em seu livro Bahia de Todos os Santos. O rumo é além: Moreré, uma pequena praia situada ao sul da Bahia, na ilha de Boipeba. Tirem os relógios. Lá, o tempo tem sua própria velocidade.  

Boipeba é circundada por diversas praias. A de maior estrutura, de onde desembarcam as lanchas e barcos com os visitantes vindos de Valença e Morro de São Paulo (veja como chegar no final do texto), é a que dá o mesmo nome à Ilha. A vila conta com diversos restaurantes, pequenos bares, pousada e máquina de cartão de crédito e débito – que não existe nenhuma em Moreré. Por isso não se esqueça de levar dinheiro.


A Praia

Diz o dicionário que verbo é toda palavra que encerra ideia de ação ou estado. A todos os viajantes que a conhecem, Moreré se torna uma ação de beleza em estado de transe.  Não há como não amá-la!

A maré é uma criança que brinca todos os dias de se esconder. Numa hora se pode boiar, noutra, os barcos estão a encalhar. “Não é possível, não tem água no mar, o barco está na areia”, dizia uma turista,Moreré desacreditada com o que via. Quando a maré está baixa, pode-se ver ao fundo a barreira de corais. O mar ali nunca tem ondas. É como se estivéssemos sempre em uma piscina de águas transparentes e quentes, quase um ofurô gigante.

A proa das embarcações no chão de areia dá o sinal aos boleiros da ilha. Duas traves surgem com a maré baixa e assim o jogo começa. A brincadeira só é interrompida quando a água volta a subir.

O céu é um espetáculo à parte. As estrelas são infinitas, parecendo, às vezes, que irão cair todas ao mesmo tempo sobre você. Prepare o caderno de pedidos, o desafio é não ver nenhuma estrela cadente rasar no céu. A lua, quando cheia, aparece como em filme: gigante e dourada, nascendo no meio do mar. Enquanto sobe, puxa a água ao seu encontro. A maré se esvazia e as estrelas somem por conta da forte luz da lua. Se não fosse pela sanidade de saber que é noite, poderia ser confundida facilmente com o sol.

De prosa calma e frases redondas, os nativos de Moreré acolhem e fazem os visitantes se sentir em casa. Os gestos são comedidos, os sorrisos mansos, as pausas esclarecedoras e as gargalhadas são largas e doces. De perto, sinta isso com Bira, um dos personagens que compõe esse paraíso.

Bira é um caboclo bom baiano, nascido em Salvador que, cansado da cidade, resolveu se mudar para Moreré. Seu bar, a Cabana de Palha, fica à beira mar. Serve coxinha, a típica lambreta baiana, peixe frito que é de lamber os dedos, e uma pinga de pitanga feita lá. À noite, os moradores se reúnem em seu bar pra tocar viola e cantar de Gilberto Gil a Nelson Gonçalves.

Entorno

MoreréEm Moreré pode se fazer tudo e também fazer nada.  Aqueles que resolvem deixar de lado o espírito baiano e circular serão conquistados por praias e povo. Em Bainema, uma praia ao lado a Moreré, o mar tem onda e a praia, como quase todas, é deserta. Andando um pouco mais, na praia da Cueira, Seu Guido, dono de uma barraca de deliciosas lagostas na manteiga, expõe orgulhoso a placa dada pelo Guia 4 Rodas.

Como em quase toda ilha brasileira, em Boipeba também há uma praia chamada Castelhano. A de lá, quando  enche a maré, só é possível voltar por barco. No areal não se acha ninguém; com sorte o visitante encontra nativos vendendo lambretas e ostras.

Comer e dormir

Moreré contempla todos os gostos e bolsos. No site da ilha, a viajante encontra informações sobre as pousadas – que vão de bangalôs de vidro no topo da montanha, às pousadas simples de famílias e casas para alugar. Se pensar em custo benefício, as casas são ótimos negócios, já que a maioria está equipada com utensílios de cozinha e camas confortáveis. É possível encontrar casas pé na areia de dois quartos por R$ 25 a diária, como foi a minha opção. Há também dois campings, como o Camping do Berimbau, mas as almas livres podem buscar onde armar barraca à chegada da vila, já que tem sempre alguém oferecendo um quintal para alugar. 


E a comida?

Come-se bem, paga-se pouco. Todos os restaurantes servem pratos à la carte, mas os PFs são deliciosos e vêm em abundância nos vários restaurantes da praia: arroz, feijão, farinha, com peixe, lagosta ou camarão, e, se pedir, até pirão. A estrela da praia são os bolinhos de aipim da Dona da Luz, um restaurante pequeno, dentro de sua própria casa, ao lado da Pousada Moreré. São bolinhos de camarão, lagosta, siri, queijoMoreré, carne seca... é só escolher. Ela faz a massa fresca todos os dias e o filho dela garante que a receita não é passada para ninguém. Para acompanhar, um suco bem gelado de manga, cajá, ou goiaba – parece até que estamos tomando a fruta direto da polpa.

Como chegar a Moreré

Até a ilha de Boipeba, dependendo da sua proveniência, o trânsito pode se alternar entre avião, balsa, van e lancha. São várias as formas de chegar lá: se tiver pressa, vá de monomotor desde o aeroporto de Salvador; se for adepta do “slow travel” (viagem lenta), aproveite para passear na ilha do Morro de São Paulo antes de pegar a lancha para Boipeba.

Mas quem opta pela viagem tradicional, mais barata e longa, transita por quase todos os elementos: ar, água e terra. Desde a capital baiana, são quatro os meios de transporte e um dia inteiro de viagem. Do Terminal Marítimo de Salvador, a balsa atravessa até Ilha de Itaparica. De lá, deve-se pegar uma van ou ônibus até a cidade de Valença, onde partem, diariamente, as lanchas rápidas para Ilha de Boipeba. Já na Ilha, pergunte pelo “trator” que vai à Moreré, isto é, uma espécie de ônibus conduzido por trator, que parte do bairro de Tiririca. Qualquer um saberá explicar.

“Tu ande reto e pegue por dentro da vila. O trator fica na frente da sorveteria Picolé do Pinto”. Picolé do Pinto? Um sorvete normal! O nome peculiar é uma brincadeira, um atrativo a mais.

Peça a benção de todos os orixás e babalaôs e se mande imediatamente para Moreré. Um novo amor encherá seu coração.

“- Vem, a Bahia te espera!”

Fotos: Carolina Campos

Comentários

Já fui muitas vezes para Moreré e nuca li um texto tão bem escrito a respeito deste paraíso!

E....Viva Moreré!!!!!

Oi Adriana!

Moreré é bom o ano todo. Porém, de maio a agosto são os meses mais chuvosos. Janeiro é uma ótima época para ir; na primeira semana do mês fica um pouco cheio, mas nada que tire a tranquilidade e a magia do lugar...

Qualquer outra dúvida, é só escrever!

Boa viagem!

Estou indo para Boipeba na segunda semana de janeiro e pensando em ficar em Moreré, Você tem alguma sugestão de pousada? Nada muito caro.

Oi Carolina!

Você fez uma ótima escolha para as suas férias de janeiro!

Em Moreré existem poucas pousadas, todas de baixo custo. Indicamos a pousada que fica no Restaurante Paraíso, a última pousada da praia. As casinhas são bem confortáveis e o café da manhã é uma delícia.

Além das pousadas lá você encontrará muitos campings na faixa dos R$20.

Boa viagem!

Olá!

Ótimo texto, obrigada por compartilhar!

Estou indo em janeiro.

Por acaso, você teria o contato da casa que vc alugou? Vc recomenda?

Poderia passar o contato, por favor?!!

Obrigada!

Abraços

Boa noite, você poderia mim um sugestão de pousada em moreré.
Tem muita muriçoca lá?

Ola, gostaria de saber que casa exatamente voce se hospedou pagando 25 a diaria… to planejando uma viagem para esse lugar magico e queria a dica!
Obrigada, Su

Também tenho interesse nessa casinha! Poderia passar o contato?
Adorei todas as dicas!
Obrigada

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