Por: Natasha Sá Osório

“Você viajou sozinha à Índia? E ao Tibete??” é a pergunta que ouvi várias vezes, sempre acompanhada de um olhar incrédulo. Nunca antes havia passado pela cabeça que as minhas viagens fossem um ato de coragem. Hoje, entendo que não são mesmo. Os antigos navegadores temiam os monstros e o “abismo do mundo” exatamente porque não conheciam os mares. Teme viajar sozinha quem nunca o fez. É simples assim. E vale também desmistificar algum mito que possa existir por aí de que mulher que viaja sozinha é “anti-social”, “solta” ou que “vai ficar para tia”. Eu tenho amigos no mundo todo e estou num relacionamento sério. Mas adoro a sensação do “quero, posso e mando”, e conheço muitas como eu.

Se você nunca considerou viajar sozinha ou já passou pela sua cabeça mas guardou essa vontade na gaveta, deixe que eu lhe dê um empurrãozinho. Se é das minhas, sorria e diga “amém!” a cada um dos argumentos embaixo.

Por que viajar sozinha é tão bom:

Você decide quando vai, sem ter que coordenar com as férias da amiga ou a folga do seu parceiro.

•Você decide para onde vai, satisfazendo a sua própria vontade. Isso vale também para quando você quer mudar a rota no último momento. Chegou em Londres e achou tudo muito chato? Pegue um trem para Brighton e dance nos festivais de música eletrônica! Conclusão: você ganhou o super poder da Helena Pêra, do desenho animado Os Incríveis: flexibilidade.

•Você escolhe os programas que mais curte, sem se sentir culpada por isso. Se quer passar o dia no spa ou rodando museus de arte bizantina, ninguém tem nada a ver com isso.
viajar sozinha

•Não há problemas de desajuste de dinheiro. A maior dificuldade em viajar com parentes e amigos é quando uns podem se dar a mais luxos que outros. E embora você não possa rachar a gasolina, também não é obrigada a poupar ou gastar no que não quer. 

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•Você conhece mais pessoas. É normal se sentir solitária em alguns momentos, mas saiba que os viajantes “solo” se atraem como ímãs e acabam fazendo programas juntos. Além de que esta é uma ótima oportunidade para conhecer os nativos. Daí que viajar sozinha não é viajar só. E olhe que eu costumava não gostar nem de ficar sozinha em casa!

Os albergues são lugares sociáveis, alguns organizam até atividades para os hóspedes se conhecerem. Mas se essa não for a sua praia, opte por um passeio guiado em grupo, um cruzeiro com poucos passageiros, fazer um intercâmbio ou até entrar em grupos online de viajantes como hospitalityclub, couchsurfing, mochileiros ou asmallworld. Todos eles visam a juntar pessoas que queiram se conhecer e trocar experiências.

•Não há espaço para atritos com as amigas, discussões com o parceiro ou crianças se queixando de fome. Paz.

•Todos aqueles livros que você queria ler e não tinha tempo vão finalmente ver a luz do dia. Os momentos em que você come no restaurante ou espera o avião/trem/ônibus deixam de ser chatos.

•É normal sentir-sviajar sozinhae perdida no início, mas com o tempo você vai ficando mais à vontade para explorar os novos lugares. Sair da sua zona de conforto pode se revelar como algo extremamente libertador.

•Você descobre mais de si própria numa semana do que num ano inteiro em casa, se surpreendendo a cada instante. Eu descobri que não gosto de fazer turismo em cidade grande e que vivo bem com 11 quilos de bagagem. Quem diria??

•De repente, todo o mundo quer saber os pormenores do que você anda fazendo. Por mais lisonjeador que isso seja, saiba se desligar do mundo real. Enquanto você conta as suas experiências, está perdendo tempo que poderia ser usado vivendo coisas novas.

•Por último, a pergunta que não quer calar: é perigoso? A resposta é: depende de você. Se tomar todos os cuidados de segurança que toma em casa, não há motivo para ter medo. Casos pontuais acontecem em todo o mundo, mesmo ao dobrar a esquina. Informe-se sobre lugares a evitar, os costumes a seguir (roupa modesta é sempre aconselhada!) e siga o seu sexto sentido. A sua insegurança vai se transformar em renovada auto-estima quando você olhar para trás e pensar “olha só, tudo aquilo que eu fiz por mim mesma!”.

 Tem mais argumentos para juntar à lista? Tem alguma experiência (boa ou ruim) que queira partilhar? Deixe um comentário logo abaixo!