Israel

Por: Ana Paula Lourenço


Praticamente todos os dias nos noticiários, nas revistas, nos jornais: esse é Israel, um país que não deixa de figurar na mídia, muito devido ao fato de estar em conflito há mais de 60 anos. Mas não se afaste por isso. Uma vez removido esse véu problemático, que parece ser quase tudo o que sabemos sobre o país antes de o conhecermos, Israel se mostra um dos destinos mais sensacionais do mundo para quem gosta de história, religião e belezas naturais.

O país, criado em 1948, três anos após o Holocausto, é uma verdadeira “casa” para o povo judeu. Logo após sua criação, uma série de conflitos envolvendo a disputa do território com a Palestina e a tensão crescente entre judeus e árabes na região deu início à guerra árabe-israelense. A instável região até hoje não obteve paz com um acordo definitivo entre judeus e palestinos, que continuam disputando o território.

Apesar disso-, Israel continua recebendo visitantes. É claro que é importante fazer uma pesquisa sobre como anda a situação por lá antes de viajar, mas as zonas de conflito são isoladas e afetam apenas algumas regiões. Não perca a oportunidade de conhecer um país tão belo e tão fácil de visitar por inteiro - sua curtíssima extensão de 470 quilômetros, associada às boas estradas, fazem com que em uma só viagem de carro seja possível conhecê-lo de norte a sul.Muro das lamentações

Jerusalém, a cidade mais importante de Israel, ironicamente, não pertence ao país. Para o governo, é a capital oficial, porém, para o resto do mundo, a cidade é território internacional, devido aos extensos conflitos de posse, já que a Palestina também a reivindica como capital. Apesar de tudo isso, a cidade parece permanecer imune a tudo o que seja mundano. Jerusalém, com seus milênios de existência, é de deixar qualquer visitante sem palavras.

A profusão de línguas, cores, crenças e vida resplandecem em meio a um ambiente que abala qualquer um, até mesmo o mais cético. É uma das cidades de maior importância da história mundial, sendo sagrada para as três maiores religiões monoteístas do mundo: o islamismo, o judaísmo e o cristianismo. Por lá, pode-se encontrar símbolos das três religiões, que marcaram profundamente a história do homem e, no entanto, permanecem inabaláveis.

Essa cidade que testemunhou invasões, êxodos e destruições ao longo de sua história possui um centro antigo, chamado de Cidade Velha. A melhor vista da cidade é proporcionada pelo Monte das Oliveiras, onde é possível observar toda a estrutura da cidade.

Próxima ao Monte das Oliveiras se encontra a Igreja de Todas as Nações, construída com doações de diversos países - Brasil inclusive. Bem ao centro da Igreja, está, segundo as escrituras, a rocha em que Cristo orou antes de ser capturado pelos romanos.

Prepare-se para ver, na Cidade Velha, vestígios das diversas civilizações que passaram pelo local, destruindo, construindo e registrando suas culturas. São romanos, persas, hebreus, assírios, babilônMesquita Al-Aqsaios... Tantos que a memória se perde. Com tanta cultura exalante, a Cidade Velha é dividida em quatro quarteirões, um para os judeus, outro para os armênios, outro para os cristãos e um outro para os muçulmanos. Ali, as três religiões celebram seus cultos e realizam suas atividades. O Muro das Lamentações encontra-se no meio de tudo isso. Alto e imponente, sua vista parece transportar o turista para os seus longos séculos de testemunho de belezas e tragédias. Local mais sagrado do judaísmo, é o único vestígio do antigo templo de Herodes, destruído por volta do ano 70.

Os cristãos têm seu foco junto ao Trajeto da Cruz e ao Santo Sepulcro. O primeiro, sempre intensamente movimentado e feito por milhares de peregrinos há séculos, refaz os passos de Cristo, desde sua condenação até o seu túmulo final. Já o segundo, apesar das extensas filas, vale a pena por levar até o calvário, a pedra onde o corpo de Jesus foi colocado, além das belas capelas marcadas por destruições e reconstruções.

Junto ao Muro-, está o ambiente sagrado dos muçulmanos: a Esplanada das Mesquitas, onde se encontram a Cúpula da Rocha e a Mesquita Al-Aqsa. É o terceiro ponto mais importante para os muçulmanos, atrás apenas das cidades de Meca e Medina, pois acredita-se que-, ali-, a alma do profeta Maomé subiu aos céus. A Cúpula da Rocha é, sem dúvida, uma das construções mais impressionantes de Jerusalém, com seu domo feito de ouro puro que pode ser visto desde o Monte das Oliveiras. Porém, apenas muçulmanos têm acesso ao seu interior.

Depois de visitar todo o repertório histórico, não deixe de ir aos mercados árabes que pontuam a zona, onde podemos encontrar artigos típicos da cultura oriental.

Se você está querendo visitar atrações mais atuais, não se preocupe. Jerusalém também sabe ser moderna. Um exemplo é o Mamilla MallMuseu Yad Vashem, shopping a céu aberto repleto de restaurantes e lojas charmosas. Não deixe de provar o falafel, item mais tradicional da culinária israelense e que consiste em bolinhos de grão de bico fritos. Para diversão noturna, vá às ruas Shin´on Bem Shatah e Shlomziyon Hamalka, imperdíveis por seu clima descontraído com bares e restaurantes muito frequentados pelos jovens.

Mas, já que estamos falando de atualidades, não se pode sair de Jerusalém sem conhecer o Museu Yad Vashem. Verdadeiro relato edificado do Holocausto, os memoriais (inclusive um dedicado às crianças vitimadas) e a cronologia do massacre descrita com detalhes faz qualquer um sair do local transformado - e à beira de lágrimas. Muito emocionante e, por isso mesmo, absolutamente indispensável.

Não esqueça, porém, que Israel é muito mais do que Jerusalém. Saindo da cidade, vá até os famosos Rio Jordão e Mar Morto. O primeiro é o local onde dizem que Jesus foi batizado, por isso há muitos peregrinos e vendedores que aproveitam a oportunidade para vender as águas consideradas sagradas do RiMar mortoo Jordão, em pequenos frasquinhos de suvenir. No segundo lugar, famoso por ser o ponto mais baixo do planeta, você poderá conferir uma vista bem parecida com a das praias paradisíacas da América Central. O Mar Morto possui esse nome devido à altíssima concentração de sal de suas águas, que impede qualquer organismo de se desenvolver ali. É perfeito se você deseja boiar sem precisar de boia! Também por causa do sal, qualquer um que tente mergulhar é levado imediatamente de volta à superfície, sem o menor esforço. Além disso, os cremes hidratantes e esfoliantes feitos com a lama formada no leito são uma ótima pedida para quem quer voltar com a pele mais bonita.

Se não cansou de água, mas cansou de boiar, saiba que o ponto mais austral de Israel, Eilat, atrai mergulhadores pela riqueza dos corais e da vida marinha proporcionada pelo Mar Vermelho.

Mas vamos à verdadeira cidade cosmopolita de Israel. Tel Aviv, que, para a comunidade internacional, é a sua verdadeira capital, tem apenas 100 anos de existência, o que é um verdadeiro contraste ao que já pudemos ver (nada de ruínas aqui!). Lindas praias mediterrâneas, de águas absolutamente azuis, se encontram com uma vida noturna bem agitada e clima leve e jovial.

Em Tel Aviv, vá às compras nas ruas Ben Yehuda e Dizengoff. A primeira, inclusive, é um verdadeirJaffao shopping pedestre, onde a circulação de carros é proibida. Para a agitação noturna, local certo é o Píer da Praia, extensão de dois quilômetros à beira mar repletos de mesinhas de restaurantes e bares. Por estar constantemente movimentado, a festa lá pode durar desde o happy hour até o amanhecer.

Sentiu falta do passeio cultural? Tel Aviv também não fica atrás nesse quesito. A cidade conta com mais de 20 museus, além de ser a sede da Orquestra Filarmônica e da Companhia de Ópera Israelense. Além disso, com uma caminhada de 30 minutos a partir do centro, é possível chegar até a parte antiga de Tel Aviv, chamada Jaffa, que apesar de tomada dos palestinos em 1954, ainda possui um certo espírito árabe: restaurantes de comida árabe e mesquitas podem ser vistos por lá.

Para chegar em Israel, voos diretos entre São Paulo e Tel Aviv são oferecidos pela El Al. O desembarque é feito no Aeroporto Internacional Ben Gurion. 

Fotos: Jerusalem (primeira imagem). Muro das Lamentações (segunda foto, à direita), Cúpula da Rocha (terceira foto, à esquerda). Museu Yad Vashem (quarta imagem, à direita). Mar Morto (quinta foto, à esquerda). Jaffa (última foto, à direita).

População: 7,8 milhões (2012)

Capital: para os israelenses, Jerusalém; para a comunidade internacional, Tel Aviv

Moeda: Novo Shekel

Idioma: hebraico (não se preocupe, os israelenses falam inglês muito bem!)

Fuso horário: +5h em relação ao horário de Brasília durante o inverno do hemisfério norte e +6h no horário de verão

Clima: os verões são muito quentes, longos e secos. O clima é amenizado no inverno, especialmente em áreas mais altas como Jerusalém. As chuvas são fortes no norte e no centro do país

Visto para turismo: não é necessário para permanência até 90 dias

Vacina: não é necessária

Dica esperta: à entrada, peça para carimbar o seu passaporte numa folha à parte - eles o farão sem qualquer problema. Isto porque se pretender visitar um país islâmico no futuro, a sua entrada será negada se tiver um carimbo de Israel.

Emergência: bombeiros 102, emergência 101, polícia 100. Embaixada do Brasil em Tel Aviv: rua Yehuda HaLevi, 23, 30o andar. Tel.: 797-1500

Feriados e festas importantes: as datas indicadas são estimativas, já que o calendário gregoriano, utilizado por nós, é diferente do calendário judeu. Ano Novo (entre setembro e outubro); Dia da Independência (entre abril e maio); Dia da Lembrança do Holocausto (entre abril e maio); Dia de Lembrança dos Soldados Caídos (entre abril e maio); Dia do Perdão (entre setembro e outubro); Festa das Cabanas (entre setembro e outubro); Festival das Luzes (entre novembro e dezembro); Lembrança da Vitória de Ester (entre fevereiro e março); Pentecoste (entre maio e junho); Páscoa (entre março e maio); Reunião do Oitavo Dia (entre setembro e outubro).

Durante os dias festivos de Rosh Hashaná (Ano Novo judeu), Yom Kippur (Dia do Perdão) e Sucot (Festa das Cabanas), os preços aumentam consideravelmente, as ruas ficam intransitáveis (mas cheias de festividades) e é difícil encontrar comida fora do hotel durante o Dia do Perdão. Vale a pena visitar pelas tradições religiosas e o interesse cultural, mas evite esta época se não é isso que procura.

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