Coreia do Sul

Por: Lu Ri Lee


Temos escutado falar muito deste país ultimamente. O cantor sul-coreano Psy tornou-se um fenômeno mundial ao atingir 200 milhões de visualizações na internet. Com a canção Gangnam Style, ele veio mostrar como o K-Pop (o pop coreano) vem conquistando o resto da Ásia. Outro assunto nas manchetes é a crescente tensão entre as duas Coreias: a comunista Coreia do Norte, liderada por Kim-Jong-Un, filho e sucessor do falecido Kim Jong-il; e a capitalista Coréia do Sul, que elegeu em 2012 sua primeira mulher presidente, Park Geun-hye. Felizmente, as tensões hoje em dia são diplomáticas, por isso você pode ir descansada.

A separação da Coreia como país singular aconteceu depois da Segunda Guerra, com a saída definitiva dos japoneses que haviam dominado o país entre 1910 e 1943. A região norte passou pelas mãos administrativas da antiga União Soviética, e a austral pelos norte-americanos. Uma tentativa de tomada de poder pelos comunistas em 1950 levou a uma guerra que durou três anos. Desde então, os dois países já expressaram vontade de se reunificar de forma pacífica, mas as diferenças políticas são imensas. A Coreia do Norte se mantém fechada e é bastante difícil adquirir acesso. Mas a do Sul está de braços abertos para receber os turistas e promete as melhores hospitalidades. Parece que finalmente chegou a hora dela entrar na rota de viagens.

Um pouco menor que o município de São Paulo, o pequeno país é composto por nove províncias, onde Seul é a capital. Setenta porcento do território nacional é formado por montanhas e existem cerca de três mil ilhas ao redor.

Seul é uma perfeita combinação entre o antigo e o moderno: tem a internet mais rápida do mundo e wifi em todo o lugar, Gyeongbokgungaté nos transportes públicos, a US$ 3 por dia; obsessão por largas avenidas com luzes néons nos outdoors; e tudo é eletrônico – a chave se tornou praticamente redundante, e as portas abrem-se com cartões ou senhas. Por outro lado, o povo preza a tradição e os bons costumes, dando importância à honra e ao nome da família.

Os palácios preservados da dinastia Joseon, que governou o país por seis séculos até a dominação japonesa, mostram o sentimento profundamente patriota dos coreanos, que mantiveram suas estruturas originais de madeira.

O mais impressionante é o Gyeongbokgung, o maravilhoso palácio construído em 1395 para residência monástica, que foi queimado durante a colonização japonesa e reconstruído depois. Dentro dele se encontra a maior coleção de artefatos dos reis, no Museu Nacional do Palácio. Outra atração que remonta à história é o Min Seok Chon, um parque temático reconstruindo um típico vilarejo antigo, com casas feitas de barro e palha, e que mostra objetos da antiguidade coreana.

Vale a pena visitar alguns dos muitos museus. O Seodaemun, antiga prisão feita pelos japoneses na época da colonização, conta sobre a opressão sofrida pelos coreanos. Às que preferem algo mais light, o Leum Museu das Artes apresenta monumentais objetos de arte contemporânea.

Opções de compras não faltam e a modernidade dos shoppings é de cair o queixo. Parte da World Trade Center Seul, a COEX é o maior shopping subterrâneo da Ásia e possui até um gigantesco aquário com direito a tubarões, tartarugas gigantes e leões marinhos. A rede de lojas de COEXdepartamento Lotte é completíssima e não tem como perder: são 24 armazéns em todo o país. Mas é no agitado bairro Namdaemum que você encontra tradicionais lojas e barracas vendendo roupas, acessórios e comidinhas típicas. E se é mesmo o ambiente local que você procura, vale visitar o Mercado de Peixes Noryangjin, onde é possível encontrar os mais diversos peixes e crustáceos existentes nas águas orientais. É parada obrigatória para um almoço único, onde você pode escolher o próprio peixe e desfrutar de sushis e sashimis frescos, cortados e preparados na hora.

Em Gangnam, distrito dos novos-ricos coreanos retratada na canção de Psy e onde fica o COEX, as tradicionais feirinhas de bugigangas se misturam com as lojas de grife e restaurantes fast food ocidentais. Em um passeio pela rua Garosu, é interessante observar essa ocidentalização com um toque asiático. É uma rua charmosa, repleta de barzinhos de jazz, cafés (como o Café des Arts), sorveterias, pubs irlandeses, e outras lojas de tipo ocidental. Mas lá você também pode tomar chá de ginseng e comer bolo de arroz. É uma verdadeira salada mista no meio da Ásia.

Para circular, o metrô é a melhor maneira, já que chega a todo o lado e é limpo e seguro. Os tíquetes compram-se em máquinas fáceis de usar, eIlha de Jeju paga-se de acordo com a distância, bastando informar a origem e o destino. Entender a malha de linhas pode ser um desafio e os nomes das estações, mesmo sendo em alfabeto ocidental, podem ser confusos, ficando fácil perder-se. Por isso, sempre leve consigo um mapa completo do metrô e não hesite em pedir ajuda em inglês aos mais jovens, que falam o idioma melhor que a população mais velha.

Se a sua onda é a natureza, dê um passeio na ilha de Jeju, que se tornou um popular destino turístico depois de aparecer na novela coreana “História de Outono”. Se as nossas novelas causam sensação na América Latina, o mesmo acontece com as coreanas na Ásia! Mas foi a paisagem natural exuberante da “ilha dos deuses”, como é conhecida, que a tornou na mais visitada do país. Dentre as atrações, destacam-se os campos de flores, a cascata Jeongbang e a praia idílica Hyeopjae. Não faltam hotéis sofisticados, ótima gastronomia e... um museu da novela. É isso mesmo que você leu!

A maior atração turística na Coreia do Sul é a Zona Desmilitarizada, a região que fica na fronteira e onde, todos os anos, um milhão de curiosos tenta ver um pouquinho da misteriosa Coreia do Norte. Apesar de se chamar assim, a atração é tudo menos desmilitarizada: placas advertem a presença de minas terrestres. As excursões param na cidade de Paju, onde há pontes interrompidas e um antigo trem com banda sonora bélica, que leva ao Terceiro Túnel, local por onde os norte-coreanos tentaram invadir em 1978. Há um mirante com telescópios para espiar o território vizinho ou, pelo dobro do preço (US$ 100) você pode ir até a verdadeira fronteira.

bibimbapAo contrário do que dizem as más línguas, a comida típica coreana não é carne de cachorro. Aliás, nem mencione isso chegando lá, porque alguns podem se ofender. Por trás dos rumores da carne de cachorro, existe uma história triste de miséria e pobreza vivida após a guerra.

Experimente o delicioso bibimbap, uma mistura de legumes e folhas com arroz branco e pimenta. Além de gostoso, é uma comida muito saudável. Coreia também tem uma rica cultura de comidas de rua. Chegando lá, você vai ver muitas barraquinhas nas ruas vendendo as mais diversas comidas. Você pode experimentar o sun-dé (escrito foneticamente), uma espécie de chouriço que é bastante barato e muito saboroso.

Para chegar à Coréia do Sul, não há voos direitos. São no mínimo 23 horas de viagem, com uma parada obrigatória. Saindo de São Paulo até Seul, há voos com conexão pela Korean Air, Emirates, Singapore, Qatar Airways, e Air China. O aeroporto internacional de Seul, o Incheon, é considerado o mais moderno do mundo, onde todos os processos (check-in, imigração, segurança e retorno das malas) são efetuados rapidamente. Do aeroporto ao centro da cidade há um ônibus executivo da Korean Air  que leva passageiros de qualquer empresa (aprox. R$ 30; 1h30) e um trem expresso AREX (aprox. R$ 24; 45 min).

Fotos: Muro de separação da Coreia (primeira imagem). Gyeongbokgung (segunda foto, à direita). Shopping COEX (terceira imagem, à esquerda). Ilha de Jeju (quarta foto, à direita). Comida típica bibimbap (última imagem)

População: 48.87 milhões

Capital: Seul

Moeda: won sul-coreano

Idioma: coreano

Fuso horário: +12h em relação a Brasília

Clima: as estações são bem definidas. O Verão é úmido e quente (com muita chuva), o inverno é muito seco e frio (com muita neve), a primavera e o outono são curtos, com climas amenos

Dica esperta: não cumprimente com abraço ou beijo, isso é considerado um ato extremamente íntimo na sociedade coreana. Nunca chame alguém pelo seu nome; deve-se acrescentar “miss” ou “mister” antes, como forma de respeito

Vacina: não é necessária

Emergência: ligue para o número +82 2 738-4970. Embaixada do Brasil em Seul: 141, IHN Gallery Bldg., 4-5th Fl., Palpan-dong, Chongro-gu

Visto: não é necessário

Festas e eventos importantes: Ano Novo Coreano (10 de fevereiro), Dia do Movimento da Independência (1 de março), Dia da Criança (5 de maio), Dia da Memória (6 de junho), Dia da Constituição (17 de julho), Dia da Liberdade (15 de agosto); Festival de Outono (19 de setembro) e Dia da Fundação Nacional (3 de outubro)

Frases úteis, escritas foneticamente: oi (anhôn-rá-sé-iô), obrigada (cám-sá-ham-ni-dá), desculpe (mi-an-ham-ni-dá) e ajuda (tô-ua-tchu-sé-iô)

Comentários

Adorei a matéria e estou cada vez mais gostando do site.Parabéns pelo texto.

=)

... a redação inteira ficou cheia de vontade de ir, ainda mais porque a jornalista Lu Ri Lee, autora desta matéria e que é da Coreia do Sul, conta tudo com um entusiasmo contagiante! Vamos lá, Ariane? ;)

Parabéns pela matéria. Muito bem escrita e de fácil compreensão.
Dá muita vontade de conhecer o país do Psy. Não tinha noção do quanto era interessante.

Abraços.

Obrigada pelo comentário!

Nós também não imaginávamos que é tão interessante, a autora desta matéria é coreana deixou o resto da equipe cheio de vontade de conhecer!

Gostei bastante da matéria por ter despertado a vontade de conhecer as curiosidades desse país, já que vem chamando a atenção da mídia brasileira. Ótima matéria!

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