Japão

Por: Lu Ri Lee   


A "terra do sol nascente" é muito mais que samurais, gueixas, sushi e sashimi. É feita de tradições milenares, guardadas em um dos lugares mais modernos do mundo. Formado por mais de seis mil ilhas, o Japão é um país insular, com quatro principais: Honshu, Kyushu,  Hokkaido e Shikoku. A sua capital, que é também uma das maiores megalópoles do mundo, Tóquio, está localizada na ilha de Honshu, e abriga mais de 30 milhões de habitantes.

O Japão é um país composto por dicotomias que o tornam fascinante. Se, por um lado, é um país extremamente moderno, com seus trens bala, robôs que simulam vida e a genialidade de transformar tudo em portátil, por outro a população é extremamente tradicional e conservadora. É um país que preza a honra da família antes de mais nada, e segue os ensinamentos dos seus ancestrais. Uma curiosidade sobre a preservação da cultura japonesa é que algumas famílias guardam a cartilagem do pomo-de-adão dos seus ancestrais como relíquias e memórias.

A nação tem o décimo segundo melhor índice de desenvolvimento humano (valor que explica o grau de progresso de um país). Apesar do impacto do terremoto de magnitude 9 e do tsunami que ocorreram em março de 2011, matando mais de 13 mil pessoas e causando o acidente nuclear de Fukushima, o Japão tem se recuperado com um vigor impressionante. E ainda é um dos países mais visitados naTóquio Ásia.

Tóquio, a “Nova York da Ásia”, é parada obrigatória no Japão. Abriga os restaurantes e bares mais sofisticados do mundo, shoppings fabulosos, museus históricos e muita, mas muita, tecnologia de ponta.

Para circular na cidade, opte pelo metro, que chega nos minutos exatos exibidos nas telas das plataformas. A cidade possui um dos sistemas mais tecnológicos do mundo. São 13 linhas numa complexa malha espalhada por toda a cidade, sendo a terceira maior rede do mundo, logo após Nova York e Londres. Fique atenta e peça informações caso se perder, já que a circulação dentro das plataformas pode ser confusa, mesmo com as placas e avisos em inglês. Evite andar durante o horário de pico, entre as oito e nove da manhã e depois das cinco da tarde, sobretudo com malas e crianças. Nessas horas, as multidões são literalmente empurradas dentro do trem nas estações mais movimentadas, como a Shinjuco, a recordista do mundo. Recebe mais de 3,7 milhões de pessoas por dia, com 200 saídas e 16 plataformas.

Não deixe de conhecer Harajuku, bairro dos japoneses “hype”, lançadores de novas tendências da moda e aficcionados pelo estilo de vida pop. Passear pelas ruas é entrar num mundo à parte: é muito comum encontrar meninas vestidas de bonecas (as gosurori, ou “Lolitas góticas”), japoneses punks ou com roupas bastante alternativas, e artistas de rua.

Os coffee shops são pontos de encontro dos fãs de mangás, os desenhos em quadrinhos japoneses. Lá eles se reúnem, trocam informações, fazem novas amizades, e leemHarajuku Lovers os últimos quadrinhos. Há muitas lojas descoladas, brechós coloridos e lojas de grifes renomadas como Prada e Louis Vuitton.

Aliás, existe até uma grife famosa por ter nascido neste bairro e se autointitular "diferentemente Harajuku de ser". A Harajuku Lovers vende roupas casuais, com estampas coloridas de bonecas, que é símbolo da marca, e também bolsas, chaveiros e perfume.

Procure o outro lado da moeda no maior santuário japonês, o Meiji Jingu, situado num parque de 70 mil metros quadrados, próximo ao bairro Harajuku. Foi construído em 1920 em homenagem ao imperador Meiji, que impôs políticas de desenvolvimento industrial durante o seu reinado (1867-1912) e transformou o Japão de um país feudal para uma potência mundial. O acesso ao santuário é marcado por um portão torii, típico japonês, que marca a transição entre o profano e o sagrado. Fica a 10 minutos da entrada principal do parque, mas durante o passeio é possível observar árvores que foram trazidas de todos os cantos do Japão. São mais de 100 mil unidades, no total. Se tiver a oportunidade de visitar durante o Ano Novo e dias seguintes à festa, ou mesmo observar algum casamento, está com sorte!

Ao visitar templos existem algumas regras de etiqueta. Respeite as placas pedindo para tirar os sapatos. Se acender incenso, não sopre para apagar o fogo; prefira abanar as mãos. Não se pode engolir a água das fontes de purificação ou tomá-la diretamente da fonte, sendo preferível encher a mão e cuspir depois. Jogue uma moeda na caixinha da sala de oferendas, curve-se duas vezes, bata palmas duas vezes, curve-se mais uma vez, e depois reze.

Você pode por isso em prática no templo mais popular entre locais e turistas, o Asakusa Kannon, ou Senso-ji. Construído em 645, é o maiMonte Fujis antigo do Japão e conserva grande parte da sua estrutura original, mesmo após ter sido parcialmente destruída durante as guerras. O imponente portão de entrada, chamado de Kaminarimon, é símbolo do país. O templo é um oásis de tranquilidade no meio de tanto agito da cidade. Aproveite para fazer um pedido e purificar a sua alma e o corpo, acendendo um incenso no grande "caldeirão" no hall do templo. Não faltam lojinhas de souvenires no complexo Nakamise, que liga o portão principal à saída, vendendo, entre outros artigos, yukatas, a típica vestimenta informal de verão.

Falando em símbolos, o Monte Fuji não pode faltar no roteiro. O maior vulcão ainda ativo do Japão é um símbolo nacional e um destino popular para quem deseja apreciar a natureza e praticar esportes como montanhismo e pesca. No Parque Nacional Fugo-Hakone-Izu, que compreende o Fuji, estão os “cinco lagos de Fuji”, onde as pessoas relaxam fazendo churrasco e pescando. O lago Yamanaka é bastante procurado para o esqui aquático e o windsurfe, enquanto o Sai tem uma das mais belas vistas. Nos Motosu o Shoji a pescaria é o alvo certo, mas é preciso levar os seus próprios equipamentos. E no Kawaguchiko as famosas águas termais atraem os turistas e o povo japonês. 

As ávidas por cultura vão amar Quioto, a cidade cultural do Japão. Lá se concentram templos e palácios com arquiteturas detalhistas, como o castelo Nijo (1603) e a Vila Imperial de Katsura, de jardins perfeitos. Há uma réplica desse espaço no parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo, Quiotohoje conhecido como Pavilhão Japonês. Faça questão de se hospedar em ryokans, os hotéis tradicionais onde se dorme em futons (colchões fininhos, típicos), colocados sob tatamis, o chão japonês, feito em palha de arroz prensada. A maior parte desses hotéis fornece um yukata para vestir e incluem jantar com pratos tradicionais na diária.

Para comer, não fique presa ao cliché do sushi e sashimi. A gastronomia japonesa é riquíssima, além de leve e nutritiva. Experimento o udom, a sopa de macarrão japonês feita com missô, tofu frito e carne. Ou teishoku, arroz branco japonês, servido com carne ou peixe, e acompanhado de pratinhos com saladas, massa de peixe, tofu com legumes e ameboshi temperado, uma frutinha salgada e ácida. Além destes pratos serem baratos, é assim que os japoneses comem no seu dia a dia. Se você viu o filme Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, para se inspirar na sua viagem, saiba que Scarlett Johansson e Bill Murray se encontram frequentemente no restaurante New York Bar and Grill, no 52º andar do hotel Park Hyatt, que oferece uma vista estonteante para a cidade de Tóquio.

Para circular no país, as tarifas turísticas saem bastante mais em conta que as locais. Os bilhetes de avião, trem e ônibus devem ser comprados antes de chegar, já que a tarifa turística não é vendida dentro do país, por isso programe bem a sua viagem. A forma mais rápida e eficiente de se locomover é usufruindo do moderno sistema de trens que cobre as quatro principais ilhas. O passe turístico de 7, 14 ou 21 dias custa a partir de 28 mil iene (aprox. R$ 567). Os ônibus são mais baratos, sendo que um passe turístico de três dias, que permite entrar e sair quantas vezes quiser dentro de um itinerário pré-definido, custa a partir de 10 mil iene (aprox. R$ 202). São confortáveis e alguns têm até assentos com telas de entretenimento individuais. Há pacotes em conta que incluem passeio em ônibus turístico dentro de Tóquio. Os ônibus locais são um tanto complicados de usar. Como andar de ônibus no Japão (em inglês).

Não há voos diretos para o Japão. Há várias opções de viagem com conexão, como a Air Canada (passando por Toronto), British Airways (via Londres), Delta e United Airlines (por Nova York), Emirates (fazendo escala em Dubai) e Qatar Airways (para em Doha). 

Fotos: Senso-ji (primeira foto). Tóquio (segunda imagem, à direita). Harajuku Lovers (terceira foto, à esquerda). Monte Fuji (quarta imagem, à direita). Quioto (última foto).

População: 128 milhões (2010)

Capital: Tóquio

Moeda: iene

Idioma: japonês

Fuso horário: +9h em relação a Brasília

Clima: verão chuvoso, úmido e quente, podendo subir acima dos 30 °C nos meses de junho a agosto. Os invernos são rigorosos, sendo que as temperaturas descem abaixo de zero em algumas regiões, embora isso raramente aconteça em Tóquio. Os meses de abril (de floração das cerejeiras) e novembro (de queda das folhas das árvores) são os melhores para conhecer o Japão, já que as temperaturas são agradáveis e a mudança das estações colore a natureza

Vacina: não é necessária

Emergência: ambulância 119 e polícia 110. Consulado do Brasil em Tóquio: 〒141-0022 
Tokyo-to, Shinagawa-ku
Higashi Gotanda 1-13-12
COI GOTANDA BLDG. Segundo andar. Tel.: 090-6949-5328

Visto de turismo: documentos a apresentar na embaixada do Japão em Brasília (9h - 11h30 seg. a sex.) ou outros consulados no Brasil. É obrigatória a presença do requerente ou familiar com comprovativo de relação. A taxa de emissão do visto é de R$ 61 e o pagamento em dinheiro deve ser feito no momento da solicitação. Para incentivar a reconstrução das áreas afetadas pelo terremoto, até 2016 estão isentos da taxa os estrangeiros que incluírem as províncias de Miyagi, Fukushima e Iwate em seus roteiros.  É preciso entrar no país até 90 dias depois da emissão do visto e este não é válido para múltiplas entradas, sendo para isso necessário pedir segundo visto, pagando novamente a taxa. Informações por tel.: 61/ 3442-4247 (9h - 12h e 13h30 - 17h).

Dicas espertas: leve pouca bagagem, sobretudo se pegar voos domésticos, em que a quantidade de bagagem é restrita, ou se pretender levar as malas nos transportes públicos, que têm pouco espaço. Alguns eletrônicos podem danificar ao usar as tomadas, que são de 100 volts, por isso use um conversor. Não coloque maquiagem em público e não assoe o nariz, já que são consideradas gafes muito feias.

Festas e eventos importantes: Ano Novo (1 de janeiro), Dia da Maturidade (móvel: segunda segunda-feira de janeiro), Setsubum, o festival do feijão, não é feriado mas as festividades são muito bonitas (4 de fevereiro), Dia da Fundação Nacional (11 de fevereiro), Shunbun-no-hi, o Dia do Equinócio da Primavera (móvel: 20 ou 21 de março), Semana Dourada (Golden Week) são quatro feriados seguidos: Dia de Showa, o aniversário do antigo Imperador Showa (29 de abril), Memorial da Constituição (3 de maio), Dia da Natureza (4 de maio) e Dia das Crianças (5 de maio). Dia do Mar (móvel: terceira segunda-feira de julho), Dia dos Idosos (móvel: terceira segunda-feira de setembro), Dia do Equinócio do Outono (móvel: 22 ou 23 de setembro), Dia dos Esportes e da Saúde (móvel: segunda segunda-feira de outubro), Dia da Cultura (3 de novembro), Dia de Agradecimento ao Trabalho (23 de novembro), Dia do Emperador (23 de dezembro).

Durante a semana do Ano Novo e a Semana Dourada (29 de abril a 5 de maio) o movimento turístico interno no país é bastante movimentado. Os preços sobem consideravelmente e as atrações turísticas e hotéis lotam, por isso, se pretende visitar durante esta época, faça reservas antecipadas. 

Comentar

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.

Filtered HTML

  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Tags HTML permitidas: <a> <em> <strong> <cite> <blockquote> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <p> <iframe>
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.

Gmap

  • Insert Google Map macro.