Tunísia

Por: Lu Ri Lee

O que acontece com um país que acabou de conhecer o significado da liberdade? Situada entre a Líbia e a Argélia, com o Mar Mediterrâneo a leste pelo qual faz fronteira marítima com a Itália, a Tunísia tem dois anos de democracia, desde a queda da ditadura de Ben Ali, que durou 24 anos. Por isso, podemos dizer que ainda está em processo de adaptação ao novo estilo de vida, o que a torna mais interessante ainda.

Cerca de 40% do território é o deserto do Saara, mas nem isso impede que a Tunísia tenha uma alta renda per capita e um progresso econômico relativamente estável. Sempre foi o país mais "europeizado"  do continente africano. Nas ruas é possível ver a mescla - ainda um pouco confusa- das velhas tradições, a chegada da modernidade e tecnologia e a força da religião mulçumana, adotada por 90% da população. Veem-se jovens com seus smartphones, trabalhadores que pausam para fazer as cinco orações do dia que faz parte da tradição islâmica, e mulheres tunisianas vestidas de burca ou nicabe (véu que apenas mostra os olhos), usufruindo dessa possibilidade desde o fim da ditadura em 2011, com a Revolução de Jasmim. Enquanto algumas muçulmanas defendem o uso de roupas religiosas nas universidades e edifícios públicos (que ainda é proibido), outras mulheres têm receio de perder o direito de usar roupas ocidentais com a eleição do atual governo muçulmano moderado; mas os dirigentes têm mSidi Bou Saidostrado uma visão liberal sobre o estilo de vida da população.

Tunis, a capital, apresenta uma mescla forte de arquiteturas, misturando as influências árabes e europeias. Como o charmoso bairro Sidi Bou Said, cujas casinhas azuis e brancas lembram Santorini, na Grécia, que contrasta com a agitada medina, de edifícios marcadamente mouros. Fazer compras lá é divertido e você encontrará vários objetos típicos, como cerâmicas, tapeçarias, roupas tradicionais e até souvenires. Mas o mercado pede jogo de cintura. Vale pechinchar – o truque é oferecer um valor inferior do que a peça vale e ficar negociando com os simpáticos vendedores até chegar a um valor que agrade aos dois -, mas não sente para tomar algo nas lojas (algo que oferecerão) se não tem intenção de levar algo. E o mais legal? Você não terá problemas com o idioma, já que os tunisinos comerciantes dão a sensação de falar todas as línguas  fluentemente, aprendendo com os turistas. É ouvir para crer!

Ao conversar com as pessoas locais nos restaurantes e cafés, é natural que a convidem a fumar um narguilé (cachimbo de água) - que, vale dizer, não contém droga, apenas tabaco, que pode ser aromatizado com frutas. Se isso acontecer, e você quiser fazê-lo, lembre-se das regras de etiqueta. Sente-se no chão de pernas cruzadas, de forma relaxadas e sem pressa. Não peça que passem a mangueira, porque, na cultura tunisina, o narguilé foi feito para ser apreciado lentamente, cada um a seu tempo. E, por fim, não aponte a ponta da mangueira para as outras pessoas. Na hora de conversar, evite temas polêmicos, como falar de políticAvenida Habib Bourguibaa ou questionar a sua cultura ou tradições. Apesar do povo tunisiano ser muito gentil com os visitantes, lembre-se que a Tunísia é uma jovem democracia, ainda sensível após as lutas para derrubar a ditadura.

Além da medina, outra parada obrigatória é a Avenida Habib Bourguiba, que, por causa das suas semelhanças com a Europa Ocidental, tem o apelido carinhoso de “Champs-Élysées tunisiana”. A área é repleta de restaurantes e lojas agradáveis.

Para você que sempre faz questão de conhecer mais profundamente a história através de museus, não perca o Museu do Bardo, que guarda as coleções dos mosaicos romanos e bizantinos, com arquiteturas e detalhes coloridos em estilo mourisco. Visite também a grande mesquita Ez-Zitouna construída entre os séculos oito e nove. Tem quarenta e quatro metros de altura, com mais de cento e oitenta colunas. É a maior e mais antiga mesquita do país.

Para se locomover em Tunis, use o metrô e o bondinho. A linha não é muito extensa, por isso pode precisar de usar táxi, que são baratos em comparação com os preços praticados no Brasil.Cartago

Próxima à capital, aproveite uma aula de história e vistas maravilhosas para o Mar Mediterrâneo visitando a antiga colônia fenícia, Cartago, tombado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Foi criada pelos fenícios no século 9 mas acabou sendo destruída e reconstruída pelos romanos e pelos árabes. Durante a Antiguidade, a cidade era uma potência econômica do mediterrâneo.

Viva uma experiência única se aventurando em um passeio no deserto do Saara, o maior do mundo, que se expande pelos países do norte da África. A Cerca de nove horas da capital de ônibus, Douz é o “portão do Saara”. Várias agências levam para passar uma noite nas tendas árabes embaixo do céu estrelado. O tour normalmente inclui uma visita a um oásis e a atrações interessantes como o maior anfiteatro romano, o El Djen, e também a possibilidade de conhecer a vida dos nômades do Saara e fazer um passeio de camelo ou dromedário.

A comida típica da Tunísia é picante, sendo que se aprecia muito o cuscuz e a carne de carneiro, que é muito saborosa. Se quiser experimentar algo novo, tente o tajine, um tipo de quiche com batata e carne, ou o brik, espécie de empanada ou pastel de atum e ovo.

Deserto do SaaraPara circular dentro da Tunísia, os trens são rápidos e confortáveis, administrados pela SNCFT. Se pretende fazer várias viagens de longa distância, compre um Carte Blueu, um passe que permite pegar quantos trens quiser dentro de um limite de dias. Os ônibus são econômicos e, se pretende fazer grandes trajetos, opte pela opção “conforto”, que oferece entretenimento a bordo e ar condicionado. Alugar um carro é uma opção, mas saiba que o trânsito é caótico e algumas estradas pecam na qualidade. A Tunis Air Express é a companhia aérea que faz as rotas domésticas.

Para chegar, ainda não há voos diretos para Tunísia, sendo necessário fazer escala na Europa, com a TAM (Madri ou Frankfurt, sendo que os voos podem ser operados por companhias parceiras da aerolinha), Alitalia (Roma), Lufthansa (Frankfurt) e Air Francewww.airfrance.com (Paris).  Alternativamente, também pode fazer conexão em Dubai, com a Emirates.

Fotos: Tunis (primeira foto). Sidi Bou Said (segunda imagem, à direita). Avenida Habib Bourguiba (terceira foto, à esquerda). Cartago (quarta imagem, à direita). Deserto do Saara (última foto).

População: 9,9 milhões (2004)

Capital: Túnis

Moeda: dinar tunisiano

Idioma: Árabe, embora muitos comerciantes tunisianos falem francês e outros idiomas fluentemente

Fuso horário: +4h em relação a Brasília

Clima: mediterrâneo ao norte e saariano ao centro e sul. Durante o verão (junho a agosto) as temperaturas médias passam os 30 °C durante o dia e o clima é bastante seco. No inverno (dezembro a fevereiro) há maior precipitação e as temperaturas rondam entre os 8 °C e os 17 °C. A melhor época para visitar são o outono e a primavera, quando o clima é ameno

Vacina: não é necessária, exceto se tiver proveniência de um país com febre amarela. Nesse caso, deverá tomar a vacina e apresentar o Certificado Internacional de Vacinação atualizado à entrada do país

Vistos: não é necessário para permanência até 90 dias

Segurança: é recomendável manter-se afastada da região do parque nacional de Chaambi e a fronteira com a Argélia. A embaixada do Brasil em Tunis recomenda não se envolver em protestos e usar roupa modesta, tendo em conta as tradições locais, sobretudo no interior do país

Emergência: polícia 197, ambulância 190 / (+216) 71 725 555 / (+216) 71 599 900 / (+216) 71 744 215. Embaixada do Brasil em Tunis: Rue du Lac Léman, Les Berges du Lac B.P. 93, 1053. Tel.: (+216) 71 965 455, (+216) 71 965 549 ou (+216) 71 965 071. Tel. plantão: (+216) 98 905 783

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