Vietnã

Por: Lu Ri Lee e Natasha Sá Osório

Esqueça a imagem da guerra, das bombas de napalm, do sofrimento. Quase 40 anos após o fim das batalhas que assolaram o país durante tanto tempo (1947-1979), na guerra da Indochina e na guerra do Vietnã, o país revela hoje cidades modernas e uma harmoniosa mescla de passado e futuro. Seus 89 milhões de habitantes, claro, carregam cicatrizes do conflito – algo perceptível no jeito mais sério e fechado do que seus primos do Laos ou do Camboja. Ainda assim, trabalham com os olhos voltados ao que está por vir, e isso significa um fluxo cada vez maior de turistas. Em 2009 (último ano de que se tem números) foram 3,7 milhões de visitantes. Só para ter ideia, o Brasil todo recebe anualmente cinco milhões.

Fazendo fronteira com China, Laos e Camboja, Vietnã é ex-colônia da França. Por isso, em meio de tantas motos, lambretas e tuk-tuks, aquele tipo de táxi sobre um triciclo motorizado ou bicicleta, é possível sentir um pouco da arquitetura francesa nas antigas casas e prédios – vale lembrar que o país foi colonizado pela França, que só retirou suas tropas de lá em 1954.

Com muitos templos budistas e barraquinhas de comida espalhadas nas ruas, Hanói, a capital, é onde você deve procurar a verdadeira essência vietnamita. Num "labirinto" no meio da cidade, em Old Quartel, você vê pessoas locais trajando nón lá, osHanói tradicionais chapéus de cone, que são bastante usados pelos vietnamitas de todo o país. Comprar em Old Quartel é uma verdadeira caça ao tesouro, pois além de objetos como cerâmicas, lenços coloridos de seda e comidinhas típicas, o dongue (moeda vietnamita) é muito barato e as coisas são, comparativamente ao Brasil, bastante em conta.

A cidade tem vários templos, já que  49,2% da população segue a religião budista. Vale a pena visitar o pagode Pilar Único, cuja lenda conta que um rei sonhou que o Buda lhe entregava um filho. Ao acordar, a rainha havia engravidado, e o pagode foi construído em sua homenagem. Mas é no pagode Tay Ho que  as pessoas rezam no primeiro e no décimo quinto dia de cada mês lunar para pedir os seus desejos mais profundos. 

Para sentir mais a antiga presença francesa, vá até a Casa de Ópera de Hanói, uma gigantesca construção francesa. Por perto, você irá encontrar outras construções magníficas em estilo colonial francês, como o hotel Sofitel Metrópole, que é um dos hotéis de referência da cidade.

Para circular em Hanói, utilize as muitas bicicletas-taxis circulando nas ruas, ou caminhe a pé. Todas as grandes atrações se localizam perto umas das outras. Além do mais, o transporte público ainda não está bem desenvolvido. Aliás, ao circular no país, alugar carro, nem pensar – o trânsito é caótico e por vezes parece não existir regras. Convém se locomover de ônibus. Eles fazem a ligação entre as cidades de todo o território, são limpos e confortáveis – de longe, os melhores do sudeste asiático. Tem até alguns Baía de Halongcom assentos duplos para casais. O inconveniente? Os programas musicais que passam nas telas de televisão são horripilantes e a um volume ensurdecedor, coisa da cultura local. Leve tapa ouvidos.

A 170 quilômetros da capital, a Baía de Halong apresenta uma das vistas mais lindas do mundo. São cerca de três mil ilhas “pontiagudas” espalhadas pela baía de águas verde-esmeralda. Existem duas maneiras de chegar à baía: através de excursões turísticas oferecidas por agências  espalhadas por toda a cidade, ou ônibus comuns, em que os preços variam e a viagem dura cerca de quatro ou cinco horas. Chegando lá, é possível visitar grutas, ver plantações de arroz, e até fazer canoagem e andar de bike nas ilhas maiores, como a Cat-Ba. Para uma experiência mais profunda, passe pelo menos duas noites num junk, o barco de velas vietnamita. Eles fazem paradas nas principais ilhas.

A maior cidade do país, Ho Chi Minh, com seus 6,5 milhões de habitantes é surpreendentemente moderna. Chamada até 1975 de Saigon, foi rebatizada após a guerra em homenagem ao revolucionário comunista Ho Chi Minh, morto em 1969. O que ele nunca poderia imaginar é que o comunismo do século 21 abriria espaço para lojas de grifes internacionais, edifícios futuristas como o Bitexco Financial Tower e shoppings luxuosos como o Diamond Plaza e o Saigon Paragon.

A metrópole ostenta, como um dos seus pontos mais destacados, a versão vietnamita da Catedral de Notre-Dame. Assim como mercado Ben Thanho mercado Ben Thanh. Ali, vendem-se comidas exóticas como as bolinhas de arroz gelatinoso enroladas em folha de bambu (o bak chang) ou, ainda, os vegetais embrulhados em papel de arroz – todos saborosíssimos.

À noite, a rua Pham Ngu Lao é o xodó dos turistas, que invadem os bares e restaurantes sob os néons coloridos. A cidade, aliás, é caracterizada pela cacofonia caótica das scooters que se multiplicam em infinito nas ruas. É comum vê-las invadindo as calçadas ou em sentido contrário ao dos carros, carregando de tudo em cima. É claro que ocorrem muitos acidentes. No entanto, as pessoas parecem sempre conformadas em se levantar e seguir viagem como se nada tivesse acontecido. Bem ao estilo vietnamita.

Curiosamente, não faltam norte-americanos em Ho Chi Minh. As relações diplomáticas entre os dois países hoje em dia são cordiais e os visitantes originários dos Estados Unidos costumam ir ao Museu dos Remanescentes da Guerra. Ele exibe tanques, aviões e fotos dramáticas do conflito e suas consequências.

A propósito da guerra, outra atração são os túneis de Cu Chi, nos arredores da área urbana. Eles permitem entrar nos espaços minúsculos e nas casas camufladas debaixo da terra, onde os soldados se escondiam. Dá para assistir a filmes da propaganda Hoi AnVietnamita e até escolher entre uma vasta gama de armas para atirar em alvos.

Fora de Ho Chi Minh, o Vietnã guarda preciosidades como Hoi An, a apenas 40 quilômetros do aeroporto internacional de Danang. Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, essa cidade de 120 mil habitantes às margens do rio Thu Bon foi, durante vários séculos, um importante porto comercial da Ásia. Suas casinhas baixas, pintadas em tons amarelos, sobreviveram às guerras e encantam os turistas.

É aqui que o estereótipo vietnamita realmente ganha vida. As pessoas caminham calmamente de chapéu em formato de cone e portando o yoke (dois cestos presos a um pedaço de madeira, equilibrados sobre os ombros). O mercado junto ao porto é bastante fotogênico, mostrando os tradicionais barcos de madeira e os vendedores sentados no chão com a comida dentro de cestos. Graças a eles, um aroma doce e sutil paira no ar. Não faltam as “casas-museu”, moradias que permitem ao turista entrar e vislumbrar a arquitetura tradicional vietnamita.

Além da beleza, a cidade atrai por dois outros motivos. Primeiro, os variados spas que se espalham pelas ruas, prontos para garantir bons minutos de relaxamento ao visitante. Depois, os alfaiates que produzem roupas personalizadas a preços muito em conta. Um exemplo é a To To Boutique, onde se consegue peças sob medida, executadas com extremo capricho. Há peças a partir de US$ 10.Nha Trang

Uma dica é fazer a viagem coincidir com o dia 14 de qualquer mês, quando se celebra o festival das luzes. À noite, as ruas se enchem de lanternas coloridas, e brinca-se de ba choi, jogo tradicional vietnamita que envolve cantoria e cartas.

Tem mais. Para os fãs do mar, a praia Cua Dai, a apenas quatro quilômetros dali, é calma e repleta de bons restaurantes. Outra vila costeira é Nha Trang, onde estrangeiros curtem a praia, os passeios de barco e os esportes radicais como parasailing, ao pôr do sol.

A gastronomia é um ponto forte no país. Além de muito gostosa, é saudável, privilegiando as folhas e o peixe. Prove o Pho, prato de macarrão de arroz, molho de ostra, carne e muito coentro. Além de delicioso, é muito fácil de achar nas barracas de rua e restaurantes, já que é uma das comidas mais apreciadas pelos turistas e pelos próprios vietnamitas. Se você gosta de frutos do mar, você estará no paraíso. Lagostas, caranguejos, siris e mariscos são algumas das principais atrações gastronômicas. Experimente o caranguejo recheado com especiarias ou apenas peça uma deliciosa lagosta.

Seja curtindo a gastronomia, o mar, as cidades históricas ou a metrópole repleta de arroubos futuristas, o visitante certamente acaba se surpreendendo com o Vietnã.

Como chegar ao Vietnã: não há voos diretos para Hanói. As companhias que fazem o voo com escala são a Lufthansa (de São Paulo, com conexão em Frankfurt), a Qatar (de São Paulo, com conexão em Doha) e a AirFrance (do Rio de Janeiro, com escala em Paris).

Fotos: Baía de Halong (primeira imagem). Hanói (segunda foto, à direita). Baía de Halong (terceira imagem, à esquerda). Mercado Ben Than (quarta foto, à direita). Hoi An (quinta imagem, à esquerda). Nha Trang (última foto).

População: 89,7 milhões

Moeda: dongue (VND)

Capital: Hanói

Idioma: vietnamita

Fuso horário: +10h em relação a Brasília

Clima: tropical. Entre novembro e março, o norte é relativamente frio (média de 17 ºC), enquanto o sul é seco e quente (em torno de 25 ºC). De abril a novembro, as monções trazem chuva e umidade. Abril, maio e outubro são os melhores meses para conhecer o norte. O período de novembro a março é o ideal para conhecer o sul

Visto para turismo: visitar o Vietnã requer organização. Vale a pena tirar o visto com antecedência, ainda aqui no Brasil, mesmo que exista a possibilidade, em teoria, de consegui-lo na chegada. Não conte com isso, pois as burocracias podem estragar sua viagem. Além disso, para entrar no país, a partir de Laos, prefira a via aérea: por terra há diversos empecilhos. Os documentos necessários para tirar o visto no Brasil são: passaporte com validade mínima de um mês após o fim da viagem, formulário preenchido em letras maiúsculas ou pelo computador (download através do site oficial), uma foto colorida 3x4 / 4x6 ou 5x7 grampeada ao formulário, comprovante do pagamento das taxas, cópia da passagem aérea (não é obrigatório). A embaixada do Vietnã em Brasília só recebe pedidos de visto às terças e sextas, das 9h às 12h. Endereço: SHIS, QI 09, conj. 10, casa 01 - CEP 71625-100 - Brasília – DF. Tel.: +55 61 3364-7856 / 3364-0694. Mais informações: embavina@yahoo.com 

Dica esperta: mantenha a calma perante o jeito meio ríspido dos Vietnamitas. É possível comprar em qualquer agência de turismo o bilhete Hoi An Old Town, que dá entrada em cinco dos 18 museus e casas no antigo centro histórico (US$ 4,50)

Vacina e saúde: leve o certificado internacional com comprovante de toma de vacina contra a febre amarela. Há casos endêmicos de dengue e cólera em algumas regiões do país. Deve-se beber água engarrafada

Emergência: ambulância 115, polícia 113 e bombeiros 115. Embaixada do Brasil em Hanói: 14 Thuy Khue, villa 6-7. Tel.: (84-4) 3843 2544. De segunda a sexta, das 9h às 13h, e das 15h às 17h. Número de plantão consular: (84) 904419922

Festas e eventos importantes: Ano Novo (1 de janeiro), Ano Novo lunar (móvel: fim de janeiro ou início de fevereiro), Dia de Reis Hung (móvel: abril), Dia da Liberdade (30 de abril; comemora a reunificação do país), Dia do Trabalhador (1 de maio) e Dia da Independência (2 de setembro)

Frases úteis escritas foneticamente: oi  (chao chi), desculpe ou com licença (xin lôi) e obrigada (cam on ban)

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