Hungria

Por: Lu Ri Lee e Natasha Sá Osório

Certamente um dos lugares mais autênticos e surpreendentes da Europa, a Hungria é um verdadeiro pedacinho de contos de fadas. Repleta de construções góticas e neo-renascentistas, pequenas ruas com piso de pedra, e cafés e choperias rústicas, a Hungria é considerada um dos destinos prediletos do leste europeu.

É possível especular que o caráter reservado dos Húngaros, pelo menos no contato inicial, provém da sua natural desconfiança. É que o país se aliou “com os lados errados” durante as guerras mundiais, expressão usada pelos próprios locais, e acabaram sendo bombardeados (pelos dois lados) durante os acontecimentos. A época do comunismo leninista que seguiu as guerras tampouco melhorou o ânimo do país, valendo até um levantamento popular contra a ditadura em 1956. Mas, assinalado o fim do comunismo em 1989, hoje é possível ver, nos velhos edifícios baleados, o esplendor dos tempos do Império Austro-Húngaro pré-guerras, em que os dois países eram governados por um só rei, e o otimismo pós-leninista que viu o país tornar-se membro da União Europeia, em 2004. Grande parte da arquitetura do país, principalmente na capital Budapeste, é repleta de luz e graça, já que Paris foi uma das cidades que inspirou a grande reforma de 1873.Bonde Budapeste

Mesmo sem saídas para o mar, o país é regado pelo segundo rio mais extenso da Europa, o rio Danúbio, que cruza o país de norte a sul e divide Budapeste em dois, Buda e Peste.

Aliás, a capital húngara é o resultado da junção de três cidades: Buda e Obuda (que se juntaram antes), com Peste. Buda é a parte mais alta e Peste é a parte mais baixa e plana.

O metrô da capital é o segundo mais antigo do mundo (logo após o de Londres) e as carruagens da Linha 1, datadas de 1896, são um charme que só. Essa é uma boa forma de circular em Budapeste, mas o sistema tem apenas três linhas, por isso será preciso usar os bondes, tróleis e ônibus públicos. Não use mapas anteriores a 2011, já que houve mudanças nos nomes de ruas nesse ano e também nos números dos ônibus em 2008. Prefira comprar um guia novo no quiosque dos transportes públicos, o BKV. Em caso de dúvida, pergunte às pessoas locais, que costumam estar bem informadas. Não entre em táxis sem logos corporativos e prepare-se para pagar bastante por eles.

Na sua visita à cidade, comece por absorvê-la de cima, desde o Castelo de Buda. Subindo a colina onde está localizado, você vai encontrar um pequeno bairro da idade medieval encantador. O conjunto de edifícios do século 13 passou por construções e reconstruções ao longo dos séculos, sobretudo durante quatro décadas após a II GranBastiao dos Pescadoresde Guerra. O esforço foi recompensado, já que o espaço ganhou o título de Patrimônio da Humanidade em 1987. Hoje, ele sustenta o acervo da Galeria Nacional, que inclui as melhores obras de arte húngaras, e o Museu da História de Budapeste. No seu coração, a igreja Matias vai encantar os menores, por ter sido palco de coroação de reis e rainhas no passado.

Mas a melhor vista panorâmica da cidade não fica muito longe dali. É no terraço neogótico do Bastião dos Pescadores, um dos monumentos mais bonitos da cidade, que foi construído em homenagem às sete tribos magiares fundadoras da cidade.

Já no lado de Peste, a atração mais visitada pelos turistas é também o maior prédio em área de todo o país. O edifício do Parlamento foi projetado em 1896 e foram usados mais de 40 quilos de ouro na construção da sua fachada. Lá dentro é possível ver a Coroa Sagrada da Hungria, usada pelos monarcas antes da instauração da república.

Nesse lado da cidade também se encontra o bairro judeu. Embora muitas ruas da região ainda não tenham sido restauradas desde a SeguFesta no spa Széchenyinda Guerra Mundial, muitos jovens empreendedores têm aproveitado para reavivar a área com novos bares e lojinhas, num movimento chamado “ruin pubs”. Ao descer nas estações de metrô Deak Ferenk Tér ou Astoria, há placas indicando o caminho para a Sinagoga, que é o maior da Europa e um dos pontos mais visitados na cidade, pela sua grandiosidade e detalhe na decoração da fachada. No mesmo lugar ainda, é possível visitar o museu judeu, com um memorial às vítimas do Holocausto.

É impossível escapar às feridas deixadas pelos nazistas e comunistas na Hungria. A Casa do Terror é uma antiga prisão e centro de registros dos espiões da população, que mostra bem a “troca de casacas” do país: a casa foi usada para as mesmas funções, quase pelas mesmas pessoas, para diferentes sistemas políticos.

Do leque das tradições húngaras, os banhos termais estão entre os mais importantes. Ainda hoje, são pontos de encontro da vida social da população, onde as pessoas se reúnem e discutem política, economia e cultura. Só na capital, existem cerca de 28 banhos termais e mais de 70 milhões de litros de água para garantir os banhos. Não é difícil entrar na onda da tradição. Os preços de acesso variam entre R$ 20 e R$ 45. Massagens e tratamentos são pagos à parte. A maioria das termas é mista, mas alguns spas organizam dias de separação dos sexos. É recomendável levar dinheiro, pois algumas casas não aceitam cartão.

Goulash e PorkoltO spa Széchenyi é o maior da Europa e um dos mais bonitos. Construído em estilo neobarroco, foi inaugurado em 1913 e oferece três piscinas externas e mais de 15 internas com tamanhos, temperaturas, cores e propriedades medicinais diferentes. É possível até jogar xadrez dentro da água! Ao longo do ano são organizadas festas noturnas que transformam banhos em divertidas baladas. Vale a pena conhecer também as termas do hotel Gellért, desta vez em arte nouveau e de uma elegância divina. 


Se não conseguir ficar longe das compras nas suas viagens, fuja da armadilha turística do calçadão Váci Urca (mas não resista a dar pelo menos uma espiadinha...), e bata perna na Avenida Andrassy. Marcas renomadas como Gucci, Hermès, Cavalli, Burberry e Hugo Boss estão concentradas ali, e a rua com calçadas arborizadas e ares de Champs-Élysées ainda oferece restaurantes super modernos. Lá estão localizados a belíssima Casa da Ópera e um quarteirão inteiro dedicado ao compositor Franz Liszt. No fim da avenida, não deixe de passear pela Praça dos Heróis, ladeada pelo Museu de Belas Artes e pelo Palácio da Arte.

Para quem gosta de comprar mas não de gastar, o Mercado Central é um bom lugar para as obrigatórias lembrancinhas. A arquitetura do edifício de 1896 foi inspirada nas obras de Gustav Eiffel. Podem ser encontrados por lá o amargo licor húngaro Unicum, o conhaque Pálinka, bons vinhos nacionais, páprica (o tempero nacional), camisetas e ímãs de geladeira. Cafe Gerbaud

O restaurante Fakanál, no andar mais alto do mercado, serve um autêntico goulash, a sopa típica à base de várias carnes, acompanhado de cebola, repolho, batatas, cenouras e muita páprica. Na gastronomia típica da Hungria, os locais apreciam as carnes de caça, como o javali, sopas de legumes, guisado de carne de porco (o pörkölt) e salames. Mas é nas guloseimas que eles realmente perdem a cabeça! Os seus doces de mil folhas e os bolos com doce de leite são famosos no mundo inteiro. O bolo Dobos, com sete camadas de chocolate, é uma delícia que pode ser encontrada no café Gerbeaud, o elegante local de rendez-vous desde 1858, que dizem ter sido o de eleição da rainha Sissi, do Império Austro-Húngaro.

A monarca de bom gosto também tinha outro recanto preferido: o Palácio Real de Gödöllő, nos arredores da capital, que vale a visita pelo seu parque, estufa, 23 majestosos cômodos e salão de hipismo, coberto.

Para chegar à Hungria, ainda não existem voos diretos. As melhores opções são os voos com conexão oferecidos pela KLM, em Amsterdã, a Lufthansa, via Frankfurt, a Alitalia, parando em Roma, a Iberia, em Madri, a Swiss Airlines, via Zurique e a British Airways, parando em Londres.

Fotos: Divulgação. Castelo de Buda, à noite (primeira foto, à esquerda). Bonde iluminado no Natal (segunda foto, à direita; foto de Mark Mervai). Bastião dos Pescadores (terceira foto, à esquerda). Festa noturna no spa Széchenyi (quarta foto, à direita). Goulash e pörkölt (quinta foto, à direita; foto de Terence Carter do Grandtourismo). Café Gerbeaud (última foto).

População: 9,9 milhões (censo 2011)

Capital: Budapeste

Moeda: forint

Idioma: húngaro

Fuso horário: +5h em relação a Brasília durante o verão do hemisfério norte e +3h durante o inverno

Clima: temperado continental. Novembro registra bastante precipitação e os meses de dezembro e janeiro são bastante frios, chegando a nevar. Tome bastante mulled wine (vinho quente) que é vendido em barraquinhas nas ruas. Durante a primavera e o verão os dias são bastante agradáveis e longos, chegando a ter 10 horas de sol

Visto para turismo: não é necessário no caso de permanência de até 90 dias, mas vigora o Tratado Schengen

Vacina: nenhuma obrigatória

Dica esperta: se não gostar de páprica, peça para excluir a especiaria ao fazer o pedido nos restaurantes

Emergência: disque 112 para central de emergência ou, alternativamente, disque números diretos: ambulância 104, policia 107 e bombeiros 105. Embaixada brasileira em Budapeste: Rua Szabadság tér 7, Torre Platina 1, 6º andar, Bank Center. Tel.: (+36-1) 351-00-6062. embassy@brasil.hu

Feriados: Ano Novo (1 de Janeiro), Dia Nacional (15 de março - celebra a Revolução de 1848 e a Guerra da Independência ao Império Austro-Húngaro; há muitos desfiles nas principais cidades húngaras), Dia do Trabalhador (1 de maio), Pentecoste (móvel: domingo e segunda-feira, 50 dias após a Páscoa), Dia da Constituição Húngara e de Santo Estevão (20 de agosto, dedicada ao rei Santo Estêvão I, considerado o fundador da Hungria), Dia da República da Hungria (23 de Outubro), Boxing Day (26 de Dezembro) e feriados cristãos

Grandes eventos: Festival da Primavera de Budapeste (festa móvel, normalmente no final de março; há vários shows, teatros, óperas e conferências acontecendo na cidade), Festival Sziget (móvel, em agosto; um dos maiores festivais de música da Europa), Festival Mundial de Dança (móvel, no final de abril)

Frases úteis (escritas foneticamente): iô napôt (bom dia), quê cênem sêpén (obrigada) e étterem (restaurante)

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